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 Alho Comum - Allium Sativum

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Manuel Das Couves



Mensagens : 10
Data de inscrição : 18/10/2011

MensagemAssunto: Alho Comum - Allium Sativum   Seg Out 24, 2011 4:30 pm

ALHO
O alho comum (Allium sativum) é uma planta herbácea, bolbosa,
bastante generalizada no arquipélago da Madeira, onde é cultivada
em todos os concelhos, incluindo o Porto Santo. Pertence à família
das Liliáceas, que inclui a cebola e o alho-francês ou alho-porro e
muitas outras plantas silvestres, já naturalizadas, a que o povo dá os
nomes de alho-bravo, alho-das-vinhas, alhinho e alho-americano.
Julga-se que a sua origem seja na Ásia Central mas foi introduzido na
Europa há milhares de anos.
E, na Madeira, o alho é cultivado, segundo C. A. de Menezes (in
“Liliáceas úteis das hortas madeirenses”, Portugal Agrícola, 1 de
Novembro de 1910), “desde os primeiros tempos da colonização”
tendo sido provavelmente introduzido de Portugal Continental.
Não ocupando grandes áreas de terreno, esta espécie é sempre
cultivada no Arquipélago como bordadura doutras plantações, nas
beiras dos terraços ou socalcos, nas extremas das propriedades ou
em pequenos talhões ou canteiros. Os terrenos onde melhor
prosperam são os francos ou leves, arenosos ou areno-argilosos, de
boa drenagem, geralmente bem providos de matéria orgânica, com
possibilidades de irrigação nas zonas mais quentes do Arquipélago,
embora por vezes possa não ser necessária a rega, dada a época de
cultivo ser a outono-invernal com prolongamento até princípios ou
meados da primavera.
O alho propaga-se habitualmente por via vegetativa, através dos
bolbilhos ou “dentes”, que formam os bolbos. Como se sabe esta
liliácea não produz, em condições normais de cultivo, sementes. Para
a plantação são escolhidos os “dentes” melhor formados e de maior
tamanho dentro das variedades ou cultivares preferidas.
Consoante as condições climatéricas dos lugares onde se pratica a
cultura, a plantação pode fazer-se a partir de Outubro e prolonga-se
normalmente até Dezembro ou excepcionalmente até Janeiro com a
colheita a realizar-se, em geral, de fins de Abril a fins de Julho.
Os bolbos são de tamanho variável com as condições climatéricas do
local de cultura, a fertilidade dos solos onde são cultivados e com a
variedade ou cultivar utilizada e distinguem-se, também, pela
coloração e pelas respectivas propriedades organolépticas. Assim, os
bolbos podem ter de 2 a mais de 5 cm de diâmetro, ser brancos a
roxos e ter cheiro e sabor mais ou menos activo.
Não há elementos estatísticos rigorosos, recentes, sobre a produção
de alho na Madeira mas estima-se que a produção anual total não
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exceda as 50 toneladas, cabendo à ilha do Porto Santo 1 a 2% deste
volume.
Menezes, em 1910, afirmava que “o archipelago da Madeira produz
cêrca de 80.000 resteas d’alhos de 50 bolbos cada uma, das quaes
umas 3.000 são fornecidas pela ilha do Porto Santo. O rendimento
por hectare deve regular por 10.000 resteas, sendo portanto de cêrca
de 8 hectares a area de cultura da planta nas duas ilhas principais do
archipelago”.
O alho já foi um interessante produto de exportação, tendo a Madeira
exportado, em 1944, um máximo de 32 t, em 1942, 17 t e, em 1957,
cerca de 14 t; em muitos outros anos, a exportação situou-se entre
as 5 t as 13 t. Menezes também refere que “o archipelago apenas
exporta umas 2:500 resteas d’alhos”, o que a 50 bolbos cada restea
e com um pêso médio de 30 g por bolbo representa 3700 kg.
Hoje não há exportação e há muito que a Madeira importa grandes
volumes de alhos, não obstante a produção local ter maior procura
com especial relevância para os alhos do Porto Santo.
O alho é, em todo o Mundo e também no arquipélago madeirense,
um importante condimento, muito utilizado na culinária, dando um
sabor agradável e muito característico a muitos pratos da cozinha
internacional e regional.
É, também, largamente utilizado na medicina caseira, pelas suas
propriedades e composição química, como antibiótico, antidiabético,
antisséptico, diurético, estimulante, expectorante, hipotensor, tónico
e vermífugo; é usado, ainda, às vezes, como calicida.
Normalmente, em uso interno, utiliza-se os dentes de alho crus,
ingerindo-os sem mastigar e, em uso externo, os dentes de alho
esmagados nas feridas, para evitar infecções, ou sobre os calos.
Devidamente preparadas, para evitar o cheiro forte do alho ou
qualquer outro efeito menos benéfico que o bolbilho cru possa
causar, encontra-se no mercado cápsulas de alho que têm já uma
certa procura entre a população local.
Esta cultura está sujeita na Madeira e no Porto Santo a algumas
perniciosas doenças e pragas mas ainda não está feita uma
inventariação exaustiva de todos os inimigos desta espécie vegetal,
sobretudo em matéria de viroses, bacterioses, insectos, ácaros e
nemátodes. Só relativamente às doenças causadas por fungos é que
se pode já adiantar que têm sido identificadas, como frequentes e de
certa gravidade, sobretudo em invernos chuvosos e húmidos, a
“ferrugem”, causada pelo cientificamente denominado Puccinia allii
(que ataca sobretudo a folhagem, cobrindo-a de pequenas pústulas
3
amarelo-acastanhadas) e a “podridão-branca”, causada pelo
Sclerotium cepivorum, que faz apodrecer os bolbos e ataca também a
cebola. Foram ainda identificados nos terrenos cultivadas com alho,
dois outros fungos, comuns na Madeira, que acabam por originar
também podridões: o Rhizoctonia solani e o Pythium sp. Estas
doenças aconselham à rotação de culturas, fazendo o alho só voltar
ao mesmo terreno após alguns anos, de preferência mais de 10.
Os agricultores não fazem normalmente tratamentos fitossanitários
nesta cultura mas uma boa conservação dos bolbos após a sua
colheita, no final do ciclo normal da planta, e de uma adequada e
atempada secagem em locais frescos e arejados, ajuda a uma boa
produção no ciclo seguinte. Pode e deve ser feito um tratamento aos
bolbos destinados à futura plantação, para o que é necessário
recorrer ao aconselhamento técnico.
Na Madeira, os bolbos são muitas vezes conservados com a folhagem
seca, em réstias ou “cabos” que são dependurados em armações
improvisados em armazéns ou lojas mais ou menos escuros. Também
se usa, actualmente, a conservação e comercialização dos alhos com
toda a folhagem ou “rama” cortada. Neste caso, os alhos são
conservados preferencialmente em caixas ou em sacos que permitam
bom arejamento e pouca luminosidade e em locais onde se não
verifique muita humidade nem temperatura elevada, quer dizer
relativamente frescos.
No que respeita a cultivares de alho, excluindo as de importação
relativamente recente, e que são, também, por vezes plantadas pelos
agricultores madeirenses, são tidas como regionais, já bastante
antigas, destacando-se o ‘alho-do-porto-santo’. Este alho, a que
Menezes (op. cit.) também se refere como de boa qualidade, merece
a preferência dos ilhéus, como já se disse, dadas as suas qualidades
organolépticas. Além desta cultivar, estão em propagação nos
terrenos das Preces (dos Serviços Agrícolas, oficiais) estas outras
cultivares: ‘Grande’ e ‘Pequeno’ (roxo), provenientes de S. Jorge.
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